sábado, 2 de julho de 2016

Meus Oito Anos - Casimiro de Abreu


Oh! que saudade que tenho 
Da aurora da minha vida 
Da minha infância querida,
Que os anos não trazem mais! 
Que amor, que sonhos, que flores  
Naquelas tarde faceiras 
À sombra das bananeiras, 
Debaixo dos laranjais!

Como são belos os dias 
Do despertar da existência!
- Respira a alma inocência 
Como perfumes a flor; 
O mar é - lago sereno, 
O céu - um manto azulado, 
O mundo - um sonho dourado, 
A vida - um hino d'amor! 

Que auroras, que sol, que vida, 
Que noites de melodia 
Naquela doce alegria, 
Naquele ingênuo folgar! 
O céu bordado d'estrelas, 
A terra de aromas cheia, 
As ondas beijando a areia 
E a lua beijando o mar! 

Oh! Dias de minha infância! 
Oh! Meu céu de primavera! 
Que doce a vida não era 
Nessa risonha manhã! 
Em vez de mágoas de agora, 
Eu tinha nessas delícias 
De minha mãe as carícias 
E beijos de minha irmã! 

Livre filho das montanhas, 
Eu ia bem satisfeito, 
De camisa aberta no peito, 
- Pés descalços, braços nus - 
Correndo pelas campinas 
À roda das cachoeiras, 
Atrás das asas ligeiras 
Das borboletas azuis! 

Naqueles tempos ditosos 
Ia colher as pitangas, 
Trepava a tirar as mangas, 
Brincava à beira do mar; 
Rezava às Aves-Marias, 
Achava o céu sempre lindo, 
Adormecia sorrindo, 
E despertava a cantar! 

Oh! que saudade que tenho 
Da aurora da minha vida 
Da minha infância querida,
Que os anos não trazem mais! 
Que amor, que sonhos, que flores  
Naquelas tarde faceiras 
À sombra das bananeiras, 
Debaixo dos laranjais!


Nenhum comentário:

Postar um comentário