quinta-feira, 30 de junho de 2016

Acrobata da Dor - Cruz e Souza


Gargalha, ri, num riso de tormenta, 
como um palhaço, que desengonçado, 
nervoso, ri, num riso absurdo, inflado, 
de uma ironia e uma dor violenta. 

Da gargalhada atroz, sanguinolenta, 
agita os guizos, e convulsionando, 
salta, gavroche, salta clown, varado 
pelo estertor da agonia lenta... 

Pedem-se bis e um bis não se despreza! 
Vamos! retesa os músculos, retesa 
nessas macabras piruetas d'aço... 

Embora caias sobre o chão, fremente 
afogado em teu sangue estuoso e quente, 
ri! Coração, tristíssimo palhaço. 


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